30 abril 2009


Queridos Amigos,


Sempre quando vou dar uma palestra em Wokshops de Arte, ou numa Escola, Oficina ou curso de Teatro e que vou falar diretamente com jovens intressados a começar na dura profissão de ator, leio esta carta que a construi baseado na minha história dentro do teatro e que li depois de algum tempo, para os alunos das escolas de teatro do meu amigo Lucca Di Steffano em Florença e Roma no meu primeiro dia de aula em janeiro 2009, onde estou lecionando as matérias de interpretação e improvisação, em substituição ao meu querido amigo, que se recupera muito bem de um câncer, mas vamos ao que interessa. Fui convidado para conversar com vocês sobre o ator; sei que muitos aqui jamais pensaram em representar, e outros deram apenas os primeiros passos neste caminho labiríntico que é o mundo da interpretação.


É uma tarefa que exige de mim sensibilidade e coragem; acho uma grande responsabilidade falar aos jovens, e é com muita emoção e prazer que passo adiante as humildes sementes do meu trabalho artístico, com a esperança de que alguma utilidade possa ser encontrada nelas e que de alguma maneira elas possam lhes tornar a caminhada menos solitária e mais solidária, na medida em que esta receita muito pessoal provoque dúvidas e reconsiderações, ou toque o sagrado dentro de cada um de vocês, ou reacenda aquela esperança cega que Prometeu garantiu ser a conquista mais urgente para a sobrevivência do homem neste planeta.


O grande poeta e dramaturgo alemão Büchner escreveu numa cena de sua peça "Woyseck": "Cada ser humano é um abismo e a gente tem vertigens quando se debruça sobre um deles." Acho que nós atores somos duplamente esse abismo-espelho: como seres humanos e como artistas. Nossa missão é provocar vertigem e o revisionamento do abismo dentro de cada espectador, para que depois de cada mergulho em nossas personagens-propostas essas pessoas pensem, questionem, se emocionem, compreendam e amem com nova e maior intensidade, pois todos os fatos refletem como um espelho. Eu, José Eudes, ator, diretor, produtor, arte-educador e artista de teatro, 35 anos de profissão, e séculos e mais séculos de um longo período de uma Europa velha voltada para a arte, ofereço a vocês com apaixonada humildade, disciplina e generosidade o meu pequeno aprendizado nesta caminhada em cima das brasas sem se queimar que é a condição necessária para poder representar e viver com algum significado no meu bizarro país sul-americano, porém rico de atores, dramaturgos e artistas.


(...) O CÁLICE
Interpretar para mim é a possibilidade que me foi dada de me comunicar com o meu semelhante através de uma troca de idéias, imagens, palavras, gestos e emoções. Um divertido, fascinante, e muitas vezes cruel jogo que mistura ficção e realidade, consciente e inconsciente, sagrado e profano, amor e ódio, vida e morte. Uma Paixão Visceral. Através dos anos venho elaborando em cima das tábuas o meu trabalho, tentando sempre o difícil equilíbrio entre as conquistas técnicas e a simplicidade da execução. Aqueles instantes, todas as noites, em que interpreto um papel, são sempre os melhores momentos do meu dia. Isso quer dizer que levo para o palco meus sentimentos, minhas idéias, minhas alegrias, meus abismos, meu horror, minha fé cênica e minha luz. Diariamente filtro essas emoções através das necessidades de cada personagem, e recebo de volta para mim mesmo uma nova compreensão de meus problemas - e acrescento a personagem um novo enriquecimento conseguido "à quente", quer dizer, arrancado de dentro de mim mesmo do meu forno da paixão pelo o teatro. Com o correr dos anos fui aprendendo a me observar como artista e ser humano, e fui tentando aproveitar em meus desenhos interpretativos a linguagem interior de minha vivência pessoal, para conseguir assim essa difícil união entre arte e vida, que foi sempre a minha grande aspiração. Sempre acreditei que cada ator traz consigo um material fantástico, inimitável e único, muito difícil de ser conservado e desenvolvido nesta nossa era atual brutalizada, massificada e carente de boa arte e porque não dizer de um bom teatro. É um cálice de cristal interior, que deve ser preservado e defendido através de muitos terremotos, muita contrariedade, muita decepção e sensação de abandono, mas com momentos também de enorme luminosidade e clarevidência que quando acontecem recompensam o artista e engrandecem o ser humano. Cada ator é único e inimitável se ele mergulha com honestidade e caráter em si mesmo, e retrata o seu semelhante com generosidade, verdade e paixão. "Somos feitos da essência com que os sonhos são feitos" escreveu Molière, e essa é a melhor definição que conheço sobre o mistério da representação.


O CAVALO
Cada ator tem obrigação de zelar e desenvolver o seu instrumental – sua voz, seu corpo: seu cavalo. Devemos transformar nosso corpo num grande arquivo de imagens com possibilidades de serem utilizadas em nossos futuros personagens; nossa voz deve poder miar, rugir, gemer, uivar, gritar – nossas mãos podem ser galhos de árvores, garras de feras, folhas secas ao vento – nossos pés, colunas de um templo, patas de animais, nosso equilíbrio e condução. Nossos olhos devem poder reproduzir o enigma do olhar da esfinge, da visão da alma e a clareza cristalina de um poema de Brecht. E mais, devemos nos preparar para poder receber com artística mediunidade a alma do mundo, as grandes interrogações do nosso tempo, a voracidade deste universo em constante transformação, pois todo o ator é um mutante. Devemos ser suficientemente fortes para poder reproduzir simultaneamente a maravilha e o horror do ser humano, a criatividade e a autodestrutividade cênica de nós todos, homens, através desta difícil caminhada da vida. O nosso cavalo deve então se preparar para poder assumir todas estas formas, e por isso ele tem de ser constantemente reabastecido e renovado. O cavalo é também o estimulador de nossa energia, o conservador de nosso entusiasmo e de nossa fé; quando as crises vierem (e não tenham dúvida de que elas virão), nada melhor do que trabalhar na fortificação do cavalo, porque no mínimo estaremos crescendo durante a crise, estaremos trabalhando e temperando novas energias, adquirindo novas técnicas, novos conhecimentos. Podem ter certeza de que um bom cavalo torna o ator indestrutível, porque ambos são parceiros eternos.


O FOGO
O fogo através do tempo sempre foi o símbolo vivo da fé, do entusiasmo e da rebeldia; mantê-lo aceso dentro de nós é também um trabalho para a vida inteira. O fogo nasce de um estado de curiosidade natural e instintivo e pode ser desenvolvido através da conquista progressiva de uma cultura geral, de uma observação apaixonada da história do homem, da história de todas as artes, da emocionante história do teatro – e um profundo sentimento de observação do ser humano – aqueles para quem realizaremos nossas mágicas, o nosso público. Esse fogo interno, uma espécie de grande rol central de energia e fé, é uma grande defesa contra a acomodação, e me parece ser a grande mola propulsora da criatividade; devemos estar sempre atentos aos seus chamados, e é preciso não deixar nunca, custe o que custar, esse fogo esmorecer ou se apagar, porque, caso isso aconteça, seremos os artífices de uma arte morta, sonâmbula, medíocre, inútil, feia e resignada para sempre.


O MENINO
A recuperação da liberdade da infância através da vida adulta foi sempre uma das minhas metas; a criança é uma fonte incrível de informação artística - e a criança que nós fomos recuperada através do nosso lado lúdico tão atrofiado pelo correr dos anos – pode nos servir de guia, mas um guia muito especial, que caminha alegre e despreocupado, que sabe descobrir o mágico dentro do cotidiano, intuitivamente. Um grande exemplo da presença do menino dentro de um artista está na figura e na obra teatral de um dos maiores atores do século XVIII Antoine Debussy. "Eu não procuro, eu acho" afirmava o grande ator. E essa fala denuncia o menino que Debussy levava dentro de si, que interpretava com a maior facilidade, respeito e amor todas as peças de Molière, Jean Racine e Voltaire usando como base para a interpretação a carpintaria teatral que ele mesmo desenhou em seus movimentos corporais adquiridos de uma das suas paixões que era a Commédia Dell’Arte (Tanto a Italiana como a Francesa), longos ensaios e mergulhos na experimentação de novos elementos cênicos ou fazia fantástica demonstrações gratuitas ao seu público em praça pública aproveitando os “Motes” das prestes Revolução Francesa que estava para acontecer, orientando, informando, comunicando e acima de tudo educando o povo (Seus conterrâneos) da velha Paris que tanto amava e que acreditava que através de uma “Queda da Bastilha” se poderia ver implantado dentro da cultura daqueles conterrâneos os ideais revolucionários da “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.


O menino traz alegria e descompromisso racional para o trabalho artístico. No Passeio Público do Rio de Janeiro tem um menino-anjo esculpido num bebedouro (se não me engano de Mestre Valentim) com a seguinte legenda: "Sou útil, ainda brincando". Essa é a lei e a sabedoria dos meninos. Acho que preservando o cálice, domando o cavalo, estimulando o fogo e soltando o menino, o artista está preparado para viver e criar uma vida bela e uma obra útil para a coletividade de uma nação e suas inúmeras gerações. Muito obrigado e MUITA MERDA para todos voces, que tem a nobre missão de: Informar, comunicar e educar através da arte e desta simples profissão de "Ator"!


Paz & Bem!

José Eudes

QUEM É A CIA TEATRAL ENCENAJUNTO


A CIA TEATRAL ENCENAJUNTO FOI CRIADA PELO O ATOR, DIRETOR, PRODUTOR, ARTE-EDUCADOR TEATRAL E COACHING DE ATORES PROFISSIONAIS JOSÉ EUDES, ONDE NO ANO DE 2006 EM SUAS EXPERIMENTAÇÕES TEATRAIS NO ESPAÇO CULTURAL ENCENAJUNTO, CUJO O LOCAL É USADO PARA ABRIGAR AS OFICINAS DE INTERPRETAÇÃO E TEATRO E OS ENSAIOS DAS PEÇAS DA COMPANHIA.


SUA CONCEPÇÃO TEATRAL É TODA BASEADA NA ESCOLA FRANCESA DE TEATRO, ATRAVÉS DO MÉTODO DO ATOR CARPINTEIRO, CUJO SEU DIRETOR JOSÉ EUDES TEVE O PRAZER E A OPORTUNIDADE DE ESTUDAR NA L'ÉCOLE DE ACTEURS ARTS CÉNIQUE DU THÉÂTRE MAISON DE FRANCE EM MONTMARTRE - PARIS ONDE MOROU DURANTE 6 ANOS, TAMBÉM FAZENDO PARTE COMO ATOR INTEGRANTE DA CIA TEATRAL MAISON DE FRANCE, TANTO NO BRASIL COMO NA FRANÇA, DAÍ A CONCEPÇÃO ESTRUTURAL USADA E APLICADA EM SUA CIA TEATRAL E COM SEU GRUPO DE ATORES.

DE QUE SÃO FEITOS E QUE PLANETA VIERAM OS EX-GO'S!!


Meus Queridos e Doces Amigos!


Não vou mentir e esconder que não está doendo ou dando saudades de todos os amigos que lá fizemos e reencontramos. Gosto muito desta palavra "REENCONTRO", para mim, ela advém da oportunidade dada de forma divina pelo nosso Pai Celestial.


E se esta grande oportunidade de nos "REENCONTRARMOS", foi-nos ofertado e permitido, nada e ninguém a tirará de nós, pois os caras lá do Globo não pensaram nisso e nem tão pouco sabiam que este grande fato ocorreria, como também, nunca vão saber de que são feitos e de que Planeta vieram estes EX-GO'S, e que estão dando retirada e aqui se "REENCONTRANDO", mas uma coisa é certa:


"NUNCA TERÃO UM GRUPO DESSE EM SEU NOVO ESPAÇO, PERDERAM A RAZÃO E A EMOÇÃO QUE ESTAS PESSOAS TRANSMITIAM ATRAVÉS DAS LINHAS ESCRITAS, PERDERAM A CULTURA, A SENSIBILIDADE, A HONESTIDADE E O CARÁTER POÉTICO E CÊNICO QUE CADA UM AQUI EMANAVAM, QUE SÓ A ODE DESTAS VEIAS CULTURAIS, PODERIAM REALMENTE REPRESENTAR".


Como o Amigo e Mestre Calmon nos ensinou querido.


Vivamos à Vida Sempre! De Forma Eterna e Sublime!


Paz & Bem à Todos!


José Eudes

21 abril 2009

MENSAGEM DE CHICO XAVIER


Mios Amigos,


Para mim, esta é a mais linda mensagem que o nosso querido Chico nos deixou de exemplo a seguir.

Beijos fraternos em todos!

José Eudes

Naceste no lar que precisavas, Vestiste o corpo físico que merecias, Moras onde melhor Deus te proporcionou, De acordo com teu adiantamento.

Possuis os recursos financeiros coerentes, com as tuas necessidades, nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas. Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.
Teus parentes, amigos são as almas que atraístes, com tua própria afinidade. Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle.Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência.

Teus pensamentos e vontade são a chave de teus atos e atitudes... São as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivência.Não reclames nem te faças de vítima. Antes de tudo, analisa e observa. A mudança está em tuas mãos. reprograma tua meta, busca o bem e viverás melhor.

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.

Francisco Cândido Xavier

SAUDADES DA MAIOR CANTORA QUE JÁ VI CANTAR, SAUDADES DE ELIS E DO VERDADEIRO TEATRO!!

É meus amigos, é verdade, sinto saudades desta grande amiga e que cantava de uma forma no mínimo intrigante e vibrante, conseguia ter uma performance artística impressionante, cantando tão bem no alto (Algumas oitavas acima da melhor média de grandes cantoras), como num segundo depois, despencar para o tom mais baixo e de forma diccional perfeita e escutável, sussurrando em nossos ouvidos algo inimaginável que deixava qualquer mortal que ama uma bela voz, feliz e um pouco nacionalista. Por outro lado e num momento de letargia total, além da embriaguez fonográfica e cultural, fico escutando Elis e comento com minha doce e linda Tereza que também é apaixonadísssima por ela e chego a seguinte conclusão: "ENGRAÇADO, CADA VEZ QUE OUÇO ELIS, CHEGO A CONCLUSÃO QUE COM PASSAR DO TEMPO, ELA ESTÁ CANTANDO CADA VEZ MELHOR".
Dessa forma, convido os amigos a prestarem homenagem a essa grande artista que nos brindou com lindos shows onde o que mais me marcou foi "Saudades do Brasil", no Canecão, o ano era 1980, o mesmo ano que voltei de Paris depois de uma maravilhosa temporada teatral de 6 anos em teatros Europeus pela Cia Teatral Maison de France de Montmartre. Foi um ano inesquecível e de pura arte, pois mal cheguei fui convidado por um grande amigo a fazer o meu único trabalho na TV o seriado "Ciranda, Cirandinha", que tinha uma proposta bem audaciosa de trazer assuntos considerados polêmicos e tabus para a época bem no estilo Rodriguiano como: Gravidez e Aborto na juventude, pílula, drogas, homosexualismo, brigas entre pais & filhos que culminava com a saída de casa, choques de gerações etc..., enfim, algo com uma linguagem jovem e que falava diretamente aos jovens da época, sob a direção de Fábio Sabag e Supervisão Geral de Daniel Filho.

A Rede Globo apostava em atores jovens e talentosos, escolhidos minuciosamente depois de um grande campo de observação e todos oriundos do verdadeiro teatro que não mais existe, como no tempo do tele-teatro. Saudades de Elis, do Fábio, da Lucélia, do Jorginho, da Denise e de mim. E para terminar este saudoso Post, me vem a mente um pedacinho de um verso do grande Fernando Pessôa (Um dos meus poetas prediletos) e que fala de forma simples e direta sobre a ode da arte de interpretar. "A ARTE É UMA CONFISSÃO, QUE DIZ QUE A VIDA NÃO BASTA"

Beijos saudosos nos seus corações!

Paz & Bem!

José Eudes